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Naturalmente sem camisa (e sem roupa)

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Posso dizer que nunca fui tímido para tirar a camiseta quando criança, a questão é que eu nunca tive o costume. Eu era um menino magricela, sonhava em ter uma barriguinha (não tanquinho, mas uma barriga mesmo). Porque sempre me diziam que eu estava muito magro.

Nos dias quentes eu nunca tirava a camisa, apesar dos homens da minha família sempre exibirem seus peitorais peludos e barrigas avantajadas. Eu tinha um tio que ia praticamente todos os finais de semana para tomar uma gelada com meu pai. Ele, mais a vontade, só andava na casa com aquelas samba-canção, da maneira mais natural possível.

Na época eu só tirava a camisa quando ia tomar um banho naquelas piscinas de plástico e colocava a camiseta logo em seguida. A questão é que eu não conhecia de fato a sensação de liberdade de estar sem camisa, sentir o vento bater nas costas, a falta daquele incômodo da camisa colando no corpo suado.

E foi assim por um bom tempo, nunca para pensar porque eu não ficava sem camisa.

Certo época, fui diagnosticado com asma. Uma doença crônica que afeta os brônquios e impede a passagem do ar para os pulmões. Além do tratamento que faço até o resto da vida, o médico recomendou que eu não deixasse de fazer atividade física. E recomendou o esporte que mudou minha vida: a natação.

Natação é um esporte excelente tanto para o corpo, quanto pela mente. A sensação de mergulhar na água é algo único. Acabei me apaixonando pela natação logo nas primeiras aulas.

Além disso, os garotos e homens só precisam usar uma sunga, óculos e touca. Ou seja: além de ficar sem camisa, a natação iria me obrigar a ficar seminu. E para mim foi algo bem natural.

A partir daquele dia, comecei a apreciar os momentos em que poderia aparecer apenas de sunga tem público (tínhamos que esperar a turma anterior encerrar a aula e ficávamos parados na borda da piscina já com os trajes de natação). Isso era umas 2x por semana e o ambiente era bom para se acostumar. Ninguém julgaria seu corpo. Havia homens mais magros, gordos e tudo que é tipo de corpo.

Eu tinha uns 18 anos nessa época.

Final do ano começou, não teria mais natação até a segunda semana de janeiro. Então em casa, comecei a ficar mais a vontade também. Em um final de semana em que meus pais viajaram e estava sozinho, decidi ter a experiência de tirar a camiseta pela primeira vez e ficar o final de semana todo sem camisa.

Em um dado momento no sábado, o botijão de gás havia terminado e como minha mãe já planejava isso, tinha deixando o dinheiro para comprar. Liguei e o entregador veio rápido até demais, nem tive tempo em pensar em colocar a camiseta de volta. Atendi a porta sem camisa e o cara do gás nem se importou! Um completo estranho tinha me visto sem camiseta e para ele foi algo normal.

Passei o final de semana inteiro imaginando o que meus pais diriam quando chegassem e vissem que estava sem camisa. Imaginei os piores comentários possíveis, mas quando chegaram, simplesmente ignoraram esse fato e conversaram comigo sem tocar uma única vez no assunto, até determinada segunda-feira durante o almoço que minha mãe disse: Tira a camisa, Gabriel, tá muito calor!

E foi aí nesse momento que decidi virar um descamisado completo em casa. Mas havia outra etapa a ser superada: ficar completamente pelado. Eu já dormia sem camisa e experimentei tirar tudo. Mas meu hábito de dormir pelado é algo a parte e merece um post só dele, mas saiba que antes desse dia que decidi dormir pelado para sempre, não importa a circunstância (e também isso rende um monte de histórias engraçadas), não foi uma tarefa fácil.

As aulas de natação retornaram e desde minha temporada sem camisa descobrindo os prazeres desse hábito, minha autoestima aumentou. Comecei a gostar do meu corpo, de apreciar os detalhes, mesmo não sendo perfeito. E até pessoas com corpos perfeitos tem defeitos.

Então, por que eu deveria ter vergonha de ficar pelado na frente dos outros?

E eu tinha oportunidade para isso. Antes e depois da natação íamos ao vestiário para nos trocar. Era um lugar pequeno com armários, dois bancos que cabiam três pessoas sentadas cada um, quatro chuveiros e um vaso santuário, com porta com tranca.

Eu sempre ia para a natação usando a sunga por baixo da bermuda. No final da aula, entrava no chuveiro de sunga mesmo, fechava a cortina de plástico e fazia um malabarismo para não me verem pelado. Ou eu me trocava no lugar do vaso sanitário ou eu levava a bermuda para dentro do chuveiro, secava a bunda e a virilha lá mesmo e vestia a bermuda antes de me vestir na área comum do vestiário.

Meus outros colegas deveriam fazer o mesmo, pois nunca via ninguém pelado, exceto o próprio professor de natação! Quando entrei lá foi a primeira vez que vi um homem completamente pelado sem vergonha nenhuma. Ele tirava a sunga e se secava lá mesmo, enquanto os demais não comentavam e desviavam o máximo possível o olhar.

Eu queria ser como ele e quando voltei para as aulas, sem pensar nas consequências, fiquei completamente pelado para me trocar, como o professor.

Confesso que no início tive medo do meu pau ficar duro, muitas vezes quando fico pelado tenho uma ereção involuntária, mas não foi o caso. Não pude ver reação dos colegas naquele momento, só pensava em me secar e me vestir, mas isso pouco importava. Era muito mais fácil e higiênico me secar sem roupa, obviamente.

E isso se tornou um costume e esperava que os demais colegas tivessem a mesma iniciativa, mas o que aconteceu foi algo diferente.

Um dos meus colegas, quase da mesma idade, comentou enquanto observava meu pau:

– Seu pinto é bem diferente do meu, o meu é coberto pela pele.

Ele perguntou em um tom curioso e eu expliquei que fiz uma circuncisão, que é o procedimento que remove o prepúcio, pele que encobre o pênis. Confesso que essa conversa sobre o órgão genital levou o assunto para algo mais sobre saúde do que piadinhas de cunho sexual ou sexo mesmo. E eu conversei com ele competente pelado, ele observando tudo com seriedade.

Muitos devem pensar que “Ah, está olhando homem pelado porque é gay”, mas isso tem nada a ver. Muitos homens héteros (inclusive eu mesmo) tiveram ou tem certa curiosidade de ver como é o pau de outros caras para ver se eram normais. E não tem problema algum nisso, até foi assim que descobri que tinha parafimose, uma condição a qual o prepúcio estrangula a glande (cabeça do pênis) durante a ereção.

Esse outro cara nunca ficava pelado, mas começou a conversar  sobre esse tipo de assunto e gostava da naturalidade que conversávamos sobre isso. Papo de homem, sem frescura.

E foi assim meu processo para começar a ficar sem camisa e sem roupa com naturalidade. Nos próximo post, é hora de tirar completamente a roupa. Vou falar sobre como foi adquirir o hábito de ficar completamente pelado em casa.

Comenta aí em baixo o que achou!

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